Ideia criada numa pequena conversa com os meus alunos, ao sabor de um amor entre 7 Luas e 7 Sóis, desaguada num desfile de amores impossíveis, paixões loucas, seduções inquietas, mergulhadas num oceano de uma língua sem fronteiras…

Domingo, 4 de Janeiro de 2009
Martz Inura

 

O amor, queira alguém o descrever
Que sempre lhe há de ficar aquém.
Se diga fogo, lume, dor ou prazer
Que a descrição ficará por fazer,
Tal a grandeza e sentido que tem!
Em si condensa tanto querer bem
Que um coração não dá para o conter.
Experimente falar dele alguém,
Que infinito ele estará sempre além
De tudo aquilo que possa dizer!
Exultação de uma dor tão sofrida
Que não pode ser por nós apagada,
A queiramos ter em nós esbatida
Que sempre doerá como ferida,
E nos queima mesmo sendo gelada!
 
Com que palavras, amor, te direi,
Que discurso usarei em meu favor
Para, desse teu jeito encantador,
Dizer claramente o que nunca ousei?!
Que claros argumentos usarei,
Que modelo empregarei, sedutor,
Para, num hino sublime ao amor,
Dizer quanto te amo e amarei?!
Jorrem belas palavras pelo chão,
Fervam no coração, ardam na mente,
Que p`ra mim não haverá, certamente,
– Socorrendo-se apenas da razão –
Maneira clara, por mais que eloquente,
De te traduzir tão grande emoção!...
 
Há linhas do teu corpo nas paisagens,
Risadas tuas, a ecoar nos montes:
Até as nuvens me trazem mensagens
Pintando-te de beleza aos horizontes!
Queiras tu, pores-te de mim bem longe
Que no coração te descubro perto.
Aparta-me do mundo: seja monge,
Que o teu fulgor me cercará, por certo!
Cada manhã és tu que ma amanheces
E chegada a noite, por mais que escura,
Não é ela, mas tu que ma anoiteces!
És em mim vastidão – todo o lugar:
Os próprios rios, cheios de frescura,
Em ti nascem, e a ti vão desaguar!...
 
Esse beijo profundo que me deste,
Tão húmido, tão profundo, tão quente,
Ainda não sei bem como o fizeste
Para o sentir assim, tão docemente!
Tirado à doce paixão dum momento,
Os teus lábios sobre os meus se afundaram
E os meus olhos sem querer se fecharam:
Cegos por um doce deslumbramento!
Um tal gozo de dar e receber,
Qual louco desejo desesperado,
Possa haver um outro maior prazer,
Que produziu em mim tão doce efeito,
Que mesmo ainda hoje ao ser lembrado
Me queima a boca, me arde no peito!...
 
A Rua Augusta está cheia de gente,
Numa cidade irrompida animada,
Mas possa ela ter encanto de fada,
Que está deserta, ao estares ausente!
E já no Rossio, junto às floristas,
Eu tento colher-te no meu olhar,
Mas a crianças e pombos vou dar,
Mesmo à frente dum grupo de turistas.
Por detrás de um trânsito infernal,
Com alguém no passeio te confundo,
Mas vendo o erro volto ao normal.
Valho a um pedinte, no chão imundo,
E já num café, nem leio o jornal:
Fico dormente a contemplar o mundo!...
 
Sinfonia nº 2


publicado por LCC às 16:08
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