Ideia criada numa pequena conversa com os meus alunos, ao sabor de um amor entre 7 Luas e 7 Sóis, desaguada num desfile de amores impossíveis, paixões loucas, seduções inquietas, mergulhadas num oceano de uma língua sem fronteiras…
Domingo, 19 de Outubro de 2008
Almeida Garrett

As minhas asas

 

Eu tinha uma asas brancas

Asas que o um anjo me deu.

Que, em me eu cansando da terra,

Batia-as, voava ao céu.

- Eram brancas, brancas, brancas

Como as do anjo que mas deu:

Eu inocente como elas,

Por isso voava ao céu.

 

Veio a cobiça da terra,

Vinha para me tentar;

Por seus montes de tesouros

Minhas asas não quis dar.

- Veio a ambição para mas cortar,

Davam-me poder e glória;

Por nenhum preço as quis dar.

 

Porque as minhas asas brancas,

Asas que um anjo me deu,

Em me cansando da terra,

Batia-as, voava ao céu.

 

Mas uma noite sem lua

Que eu contemplava as estrelas,

E já suspenso da terra,

Ia voar para elas,

- Deixei descair os olhos

Do céu alto e das estrelas...

Vi entre a névoa da terra,

Outra luz mais bela que elas.

 

E as minhas asas brancas,

Asas que um anjo me deu,

Para a terra me pesavam,

Já não se erguiam ao céu.

 

Cegou-me essa luz funesta

De infeitiçados amores...

Fatal amor, negra hora

Foi aquela hora de dores!

- Tudo perdi nessa hora

Que provei nos seus amores

O doce fel do deleite,

O acre prazer das dores.

 

E as minhas asas brancas,

Asas que um anjo me deu,

Pena a pena caíram...

Nunca mais voei ao céu.

 

 

 

 



publicado por LCC às 18:12
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4 comentários:
De Anónimo a 19 de Outubro de 2008 às 19:29
" a minha tortura inda é maior:
Não ser poeta assim como tu és
Para gritar num verso a minha Dor"

Lindissimo.

Beijo....meu



De LCC a 21 de Outubro de 2008 às 17:35
ok, Anónima, prometo que vou procurar textos mais cheios de felicidade para gritares mais as tuas coisas boas e virares as costas à tua Dor.

Obrigado pela visita e volta sempre

beijo meu


De Inês a 31 de Outubro de 2008 às 18:47
Triste mundo este onde se pagam
"O doce fel do deleite,
O acre prazer das dores."

Com a perda da capacidade de "voar ao céu"

Não conhecia, mas também não conheço assim tão bem A. Garret.

Obrigado pela partilha


De LCC a 1 de Novembro de 2008 às 20:17
Obrigado pela visita Inês e o objectivo é mesmo revelar um pouco mais as obras dos escritores da língua portuguesa, por isso, volta sempre

beijo


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